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AS CINZAS DO FIM DO MUNDO

Na Síria, um estado forte Aterroriza os cristãos, Taliban grupo da morte Amedronta os afegãos. Boko Haram, Hezbollah, Matando em nome de alá, Ceifam vidas num segundo. É o apocalipse chegando E a alma humana queimando Nas cinzas do fim do mundo

ENQUANTO A CHUVA NÃO VEM

Assim vive o sertanejo Enquanto a chuva não vem: Carregando lata d’água Sem pedir nada a ninguém. Camisa de volta ao mundo, Calça rasgada no fundo, Mas feliz com o que tem

A CHEGADA DE FIDEL NO INFERNO

Com o inferno reformado Já criei minhas reformas Quero ver tudo ampliado Quero impor as minhas normas Vão ensebando as chibatas Que eu vou preparar as atas Na casa de ferrabrás Modifiquem o estatuto Que aqui o sistema é bruto Mando mais que satanás Vou preparar um chicote Pra dá surra em mandrião Se brincar leva um surrote Mando arrancar um “cunhão” Mandei avisar pro céu Que sou um diabo cruel E comigo ninguém pode Tenho sede de mandar Quem quiser contrariar Vou arrancar-lhe o bigode Aqui não aceito bico Nem tão pouco opinião Não me venha com fuxico Malquerença ou confusão Nunca perdoei quem erra Mesmo morando na terra Quem teimou, levou castigo Não passou de um submisso Que me prestava serviço Feito um coitado mendigo Vou tirar as regalias Desses cãos aposentados E queimar as alforrias Dos que foram liberados Já mandei comprar um terno Pra comandar o inferno Na minha forma tirana Chamei um cão salafrário Pra servir de secretário Que morreu de beber cana Vou cortar água encana...

A LINGUAGEM DO AMOR

É triste e me causa dor, Me desatina e me prende, Que a linguagem do amor O homem já não entende. Com medo do abandono, Um cavalo perde o dono, Chora e sente desenganos… (…) São verdadeiros sinais, Que os pobres dos animais, Sentem mais que os humanos.

A SEMENTE DO MAL

O fracasso do mundo se acelera Num cenário de guerra e de motim Bombardeios, granadas, gás sarim… Os anseios da paz já não prospera Numa cena que choca e dilacera Criancinhas suspiram pra morrer Indefesos sem chance pra correr Sai dos braços do pai pra sepultura “A semente do mal está madura Quem plantou se prepare pra colher”

CARDÁPIO DE JUMENTO

Antes da semana santa Me falaram num sussurro: Vão botar carne de burro Pra preso comer na janta. Essa notícia me espanta Esbravejou um detento; Não gosto desse alimento Prefiro comer carniça Do que morder a linguiça Do diabo desse jumento. Já se encontra no mercado Nos bares de Apodi Porção de burro grelhado Jumento a catupiry Tem lombo na frigideira Jerico ao molho madeira Ovo de burro na brasa Bisteca de jegue preto Tripa assada no espeto Como franquia da casa